A Hora da Estrela

Outubro 16, 2007

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Em cartaz: Piaf, um Hino ao Amor (França, 2007)

Ela nasceu na França empobrecida, durante a Primeira Guerra Mundial. Viveu intensamente as agruras do submundo parisiense desde a infância (sem falar no período em que morou num bordel da Normandia e na trajetória mambembe com pai, artista de circo). Sua genialidade, porém, lançou seu nome e sua voz ao patamar do mito. Transcendência. É claro que a biografia de Edith Piaf só podia gerar um melodrama no melhor estilo hollywoodiano sem, contudo, perder o charme francês.

Todos comparam Piaf, um Hino ao Amor (La Môme, 2007) aos recentes Ray (2004) e Johnny e June (2005). O problema é que nesses a caricatura se sobrepôs aos artistas retratados. A Piaf de Marion Cotillard, no entanto, é humana. Existe para amar e para sofrer durante os 140 minutos de duração do filme com uma capacidade infinita de nos cativar (como a própria Piaf o fez ao interpretar de forma única suas canções). Ninguém lembra que se trata da mesma atriz que contracenou com Russell Crowe no meloso filme de Ridley Scott, A Good Year (2006). O espaço é curto para falar dos aspectos de La Môme que me convenceram (assim como aqueles que me irritaram). Vou ficar com um único (e positivo): a emoção que brota na gente em cada sorriso e em cada lágrima de sua atriz principal.

Roteiro sentimental: impossível não lembrar da cena (já candidata a melhor do ano) de transição entre o interior do apartamento e o palco. O pequeno Pardal atingido em pleno vôo, cai ferido diante da platéia. É quando o melodrama atinge seu objetivo e assegura a imortalidade do mito.

Em tempo: a França que sempre respirou Edith (a representação máxima de sua chanson populaire), está mergulhada numa verdadeira febre em torno de seu ídolo. Além do filme, inúmeras publicações oferecem extensos dossiês sobre sua vida e obra. A artista que atravessou duas guerras teve, em suas batalhas particulares, o papel crucial de representar a França de todas as vertentes, unindo o popular ao sofisticado, o luxo e a lama, provando ser verdadeiramente uma estrela. 

2 Respostas para “A Hora da Estrela”

  1. Jr disse

    Bichinho meu, aproveite bem sua Mostra que eu esse ano aproveitei tão intensamente a daqui. Vi filmes de perder as contas e desliguei um tanto dos dias. Agora estou retomando com cautela e sem atritos muito fortes para não machucar a ilusão.

    Saudade mesmo.

    Eu chorei como um bode no Piaf. Chorei de molhar a camisa, de só sair depois bem depois dos créditos. Posso dizer que caí em todas as armadilhas sentimentais óbvias ou não, fui junto, sabe ir junto? E faz muito tempo que não me deixo ir. Culpa dessa atriz diabólica e tão intensa.

    beijos e mais beijos

  2. Além de belo e emocionante roteiro, este filme é imperdível também pela trilha espetacular sonora.

    Estou fasciando com a capacidade desse blog em reunir dicar de tamanha qualidade. Parabéns!

    Um abraço!

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