Longe do Paraíso
Outubro 1, 2007
Em Cartaz: Encontros ao Acaso (EUA, 2006)
Aí você vai ao cinema sozinho, num início de tarde fria e chuvosa, numa cidade cinza como São Paulo. Aí o cinema é um dos últimos remanescentes daqueles bem tradicionais, com piso e paredes acarpetados com cores berrantes e formas geométricas que lembram os anos 70. Uma luz azulada e uma música instrumental-brega de fundo compõem a cena, antes do filme começar.
Aí o filme começa. Trata-se da estréia como diretora da atriz Joey Lauren Adams (a Amy, de Procura-se Amy (1997), de Kevin Smith). Encontros ao Acaso (Come Early Morning, 2006) é uma daquelas histórias que bem poderiam recortar uma fase da sua vida. Sim, da minha. E a coisa da cumplicidade foi tamanha que me dei o direito de fazer algumas pesquisas: Joey Adams nasceu em janeiro de 1968; sua atriz principal, Ashley Judd (inspiradíssima) em abril de 1968; seu par no filme, o equilibrado Jeffrey Donovan em maio, também de 1968.
Eu? Eu sou de dezembro de 1968. E aí tudo se encaixou. É a minha geração se auto-descrevendo. Carregando nas tintas de um interior norte-americano arcaico e quase bizarro, nos porres homéricos (sim, vez-em-quando precisamos disso) e numa total inadequação em se entregar a um relacionamento saudável, que dure mais que uma noite de sexo anônimo e sem amarras. Pode não ter feito sentido para mais ninguém. Mas durante seus 97 minutos, o filme me tomou por inteiro. A relação conflituosa com o pai, com a fé, com o próprio destino. De repente me vi ali, naquele cinema enorme, quase vazio, chorando como um adulto que ainda é um menino. Mas certo de que o mundo não tem nada com isso.
Roteiro sentimental: impossível não se deixar envolver pelos personagens coadjuvantes, inclusive Bessie, a cadela sem dono que simboliza tanta coisa. Scott Wilson (o pai), Diane Ladd (Nana) e Tim Blake Nelson (o tio) estão reluzentes em suas quase-pontas. E o Arkansas natal da diretora, filmado cru, mas capaz de paisagens desoladoras e deslumbrantes ao mesmo tempo.
Nossa, depois de um texto desse vou direto ver esse filme, mesmo que eu não tenha nascido em 1968…
idem !!!!!!!!
(falo sobre o comentário acima_ou abaixo_nunca sei a ordem que entram esses comentários).
dia 13 ????????
ieba !
fiquei tão feliz com a notícia de que deu certo.
e o chope de comemoração ?
bjo, querido !