Onde queres revólver, sou coqueiro
Setembro 13, 2007

Em cartaz: The Bubble (Israel, 2006)
O perigo de um filme como The Bubble (Ha-Buah, 2006) é cair na armadilha das simplificações. No caso, o viés panfletário poderia sobressair nos inúmeros personagens gays e simpatizantes (incluindo os protagonistas) retratados na história, além da conotação política, que claramente expõe um ponto de vista liberal em relação aos conflitos entre árabes e israelenses. Mas o que se vê no filme é lirismo sem pieguice (alguns poucos exageros não chegam a comprometer o tom dominante) e consciência humanitária sem juízos de valor ou lições de moral.
Eytan Fox (autor do não menos polêmico Yossi & Jagger, de 2002) parte de um conflito local para falar de algo que acontece tanto nas fronteiras entre Israel e os territórios ocupados quanto nas favelas do Rio de Janeiro. O constrangimento de muitos, a revolta de outros e ainda a perversão de alguns. Na luta pessoal pela assimilação do desejo, o diretor vai seduzindo o público com o clima gay-festivo de Tel Aviv até a dissolução da aludida “bolha”. O fato do título não ter sido traduzido no Brasil deixou (pelo menos em mim) a impressão de que é necessário reconhecer o estrangeiro que há em nós para que os limites ganhem outros significados.
Roteiro Sentimental: impossível não se emocionar com a versão de Ivri Lider para The Man I Love, de George e Ira Gershwin, que ouvi tempos atrás na interpretação inesquecível de Ella Fitzgerald. Aliás, a trilha tem ainda Bebel Gilberto criando climas acertados. Códigos perfeitos para aproximar mundos aparentemente distantes.
Vi Yossi and Jagger num cineminha em Curitiba, uma viagem inesquecível cheia de boas lembranças. Fiquei curioso para ver este Bubble, mas pra conseguir só na dependência dos downloads…
Adorei!
E as coincidências continuam.. Sou uma bióloga, que prestou audio-visual na ECA e só não fez pq ficou na lista de espera e não chamaram ninguém!
Desde então abandonei o cinema. Acho que foi para sofrer menos. Mas esse seu blog deu saudades!
Além dessa, estava pensando em me embrenhar no jornalismo científico ou divulgação científica. Acabei de terminar o mestrado e estou naquela fase: escolhi-algo-que-não-vai-me-dar-dinheiro-então-melhor-começar-fazer-o-que-gosto!
Tenho até sugestão de pautas, de pesquisas que vejo com grande interatividade social, mas nem sei para onde enviar.
Odeio ter essa discrepância entre os acadêmicos e os outros mortais! Decidi ser mortal!
huahuahuah
Enfim.. visitarei sempre!
Bjoks