Dança da Solidão
Setembro 10, 2007

Em cartaz: Medos Privados em Lugares Públicos (França, 2006)
O declínio sempre me fascinou. Me sinto um tanto retrô no gosto por coisas antigas, gastas, sejam elas do século XIX ou da década de 60,70 do XX. Quando assisti a Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs, 2006) me vi mergulhado numa atmosfera decadente (entendam, no melhor sentido que esse termo tem pra mim). Os seis personagens em busca do amor já têm mais de 30 anos (em alguns casos, bem mais). Os cenários (além da neve constante que lembra antigos cartões de natal) evocam algum tipo de relação com o passado, sem falar no vermelho-pesado-dominante do bar do hotel (existe expressão mais vintage que “bar do hotel”?) despertando o desejo por um drink naquele balcão. Tô falando em personagens e cenários porque o filme originalmente é uma peça de teatro (e a excelência do texto de Alan Ayckbourn deixa isso bem claro), mas trabalhada com tamanha maestria que se transforma em obra imagética por excelência.
Alain Resnais não é um mestre apenas por tudo que já legou à história do cinema. É mestre porque, com mais de 80 anos, ainda consegue se divertir fazendo cinema (a câmera explorando espaços com tanta desenvoltura que empolga). Consegue transformar retratos tristes em singelos fotogramas de nós mesmos, sempre em busca de uma história de amor real. Nem que elas durem o tempo da projeção de um filme.
Roteiro sentimental: não dá para esquecer os personagens Charlotte (Sabine Azèma -fantástica) e Lionel (Pierre Arditi) sob a neve que invade metaforicamente o apartamento. Sentimos frio e calor ao mesmo tempo, como sempre acontece ao tentarmos resolver pendências com o tempo, com a memória, com a vida imaginada.
Desde às 10:00 da manhã estou com essa tela aberta pra dizer-te que amei! Tu escrevendo sobre cinema é um casamento perfeito!
Beijo!
eita.
texto bom…..e gosto parecido por coisas decadentes(se é_eu sei_ que vc me entende)
um bjo grande querido.
(visite meu blog, qdo der).
Assisti e gostei do filme! Acho q pelo fato de não ser essas obras hollywoodianas q o faz tão real e bom! Adorei o blog!
Esse é um filme que merecia ser mais visto. Já recomendei para meio mundo, mas a atual distribuição de filmes para salas de exibição não ajuda nem um pouco: pouquíssimos cinemas incluíram esse filme na programação.
Reitero: filmão!
Eu adorei este espaço…